O Millennium Prize Foundation estabeleceu o biennial award em 2004, para reconhecer as abordagens inovadoras em áreas como saúde e energia sustentável. São as “Inovações que tem claro e mensurável impacto na qualidade de vida das pessoas”, finalisa o Chairman Jorma Ollila, que preside a Nokia e a Royal Dutch Shell no quadro de diretores, onde disse durante uma conferência de imprensa no New York Academy of Sciences anunciando os seis cientistas que irão compartilhar o prêmio de US$ 1,8 milhões. A fundação irá anunciar o vencedor, que leva pra casa US$ 1,3 milhões, no dia 11 em Helsinki. Os outros finalistas irão compartilhar o restante do dinheiro.

Randy Giles (foto)
Randy Giles, diretor de subsistemas ópticos e fotônicos avançados da Alcatel-Lucent da Bell Labs, em Nova Jersey; Emmanuel Desurvire, diretor da Thales Corporate Research & Technology’s physics do grupo de pesquisas na França; e David Payne, diretor da Universidade de Southampton do Centro de Pesquisa em Optoeletrônica na Inglaterra, ganharam as posições de finalistas por suas contribuições para as telecomunicações através da invenção do erbium-doped fiber amplifier (EDFA), o que tornou possível a alta capacidade global da rede de fibra óptica que serve como o backbone da Internet.
O amplificador é crucial para impulsionar sinais de luz degradadas à longas distâncias, permitindo transmissões de mais de 12.000 km, Marja Makarow, chairwoman do comitê de seleção da premiação e chefe executiva da European Science Foundation, disse durante a conferência de imprensa, acrescentando: “Sem esta inovação, a World Wide Web não iria funcionar como faz hoje.”
Andrew Viterbi (foto)
Andrew Viterbi, presidente da empresa de investimento e consultoria Viterbi Group LLC e co-fundador do provedor de telecomunicações Qualcomm Inc., finalista ganhou reconhecimento pelo seu desenvolvimento do algoritmo Viterbi, uma técnica que tem avançado a concepção e implementação do moderno sistema de comunicação sem fio. Rede de celulares utilizam o algoritmo para eliminar o ruído. Discos rígidos dos computadores, leitores de MP3 e sistemas que selecionam as informações recebidas de um grande espaço também usam o algoritmo.
Sem o algoritmo Viterbi, “não teríamos telefones celulares”, disse Makarow. “A comunicação é um elemento essencial na construção de democracias em todo o mundo.”
Alec Jeffreys (foto)
O DNA fingerprinting (teste/perfil de DNA), técnica que o finalista Alec Jeffreys, um professor de genética da Universidade de Leicester, na Inglaterra, desenvolveu de forma avançada no campo da ciência forense (polícia científica) e tem desempenhado um papel importante na resolução de disputas de paternidade e da imigração. Além de apanhar criminosos e exonerar os presos insjustiçados, o teste de DNA foi fundamental na identificação dos restos do nazista Josef Mengele (ele inclusive morreu no Brasil e o teste de DNA foi realizado por peritos da Unicamp), e para determinar se Thomas Jefferson teve um filho com uma de suas escravas, e confirmando que Anna Anderson não foi a última grande duquesa russa, Anastasia Romanov, como ela tinha reivindicado.
Robert Langer (foto)
A comissão também selecionou o Robert Langer (Massachusetts Institute of Technology’s), professor de um instituto com a Divisão de Ciências da Saúde e Tecnologia – Harvard-MIT, como finalista para o desenvolvimento dos sistemas de “liberação de (drogas) medicamentos” de forma transdérmica (chamado de transdermal drug delivery systems) , que permitem a administração de medicamentos através da pele sem agulhas ou outros métodos invasivos. Seu trabalho na liberação das drogas por polímeros acabou por conduzir à criação de uma nova forma de tratar câncer cerebral, e ele também tem sido ativo na área da engenharia de tecidos, criando tecidos biológicos em substituição aos tecidos sintéticos.
Langer disse durante a conferência de imprensa que quando ele propôs primeiro a idéia de utilizar plástico para liberar medicamentos, a idéia foi ouvida com “uma grande quantidade de desprezo” por seus colegas acadêmicos. Hoje, porém, os sistemas avançados de liberação de medicamentos são utilizados por mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano.

A comissão de seleção escolheu estes finalistas das 64 candidaturas em 26 países diferentes (20 das nomeações foram cientistas americanos). Esta é a primeira vez que a comissão escolheu mais de um finalista. Os vencedores das edições anteriores foram Tim Berners-Lee, em 2004 (que trouxe o hipertexto para a Internet, fazendo a World Wide Web que conhecemos hoje) e Shuji Nakamura em 2006 (responsável por inventar díodos emissores de luz azul e branco, os famosos LEDs).
Fonte: Larry Greenemeier por Scientific American
Recent Comments